A pandemia da Covid-19 acelerou o uso da tecnologia digital. A medicina não foi exceção. Está é uma tendência do século 21, entretanto, foi entre abril e maio de 2020, que se intensificou este processo.

A telemedicina – atendimento à distância, mediado por plataformas tecnologias – veio para ficar e proporciona atendimento médico a uma parcela significativa da população que, de outra forma, não teria acesso a consultas.

Também houve mudanças na atenção primaria em nível de saúde pública.

A pandemia impôs restrições na vida das pessoas e muitos cuidados extras para a população e os profissionais da saúde. Mostrou que a jornada do paciente e do médico pode ser otimizada.

Sob estas circunstâncias, os médicos viram o setor tomar impulso significativo.

A aceleração da transformação digital da saúde trouxe uma série de reflexões.

Será que a relação médico-paciente tornou-se menos importante ?

Ao contrário, houve grandes mudanças e intensificação da relação médico-paciente. Ela nunca foi tão importante e necessária, par o êxito dos resultados na área da saúde.

A entrada da tecnologia digital passou a exigir do médico maior capacidade empática em relação ao universo do paciente e seu ambiente social. O paciente vem buscando cada vez mais uma abordagem humanizada e individualizada.

Houve empoderamento do paciente e de seus familiares, que passaram a ser também protagonistas do tratamento.

Não bastam mais duas ou três consultas para sanar dúvidas e resolver as necessidades de alguém com uma doença crônica (hipertensão arterial ou depressão, por exemplo).

Existe uma “onda de autocuidado” acontecendo.

Neste sentido a plataforma digital Mind Joint, que busca auxiliar e orientar pacientes com depressão e risco de suicídio, é uma importante ferramenta oferecida em direção ao autocuidado.

Cabe ao médico sempre orientar e explicar os cuidados que o paciente deverá ter ao tomar qualquer decisão com base no que viu na internet.

A boa medicina, na atualidade, está cada vez mais longe de simplesmente fazer o diagnóstico e estabelecer uma conduta. Grande parte do valor, que o paciente está buscando, está na capacidade de o médico conectar-se à sua realidade, manejar suas expectativas, e proporcionar uma excelente experiência para o indivíduo.

Salientamos também que os médicos podem optar pelo modelo de atendimento híbrido, através da telemedicina e de consultas presenciais. A telemedicina é uma ferramenta moderna relevante, porém, incapaz de substituir o modelo de atendimento presencial.

“O paciente é único e sua doença igualmente única”.

Este novo mundo está exigindo dos médicos um aprimoramento da inerente “tomada de decisão”, que é uma das coisas mais difíceis no exercício da profissão. Tomar uma decisão é escolher entre duas alternativas ou mais, que podem ser igualmente boas. Este processo necessita de uma conexão muito grande com o paciente, pois, entre boas escolhas, uma será a mais adequada para o indivíduo em seu contexto de vida.

Portanto, estas são as duas grandes mudanças na medicina, advindas da inserção da tecnologia digital:

  1. O avanço da telemedicina como modelo de assistência em caráter complementar.

  2. As modificações estabelecidas na relação médico-paciente onde o médico é uma autoridade, porém, não mais no sentido autoritário. Não mais como único detentor de todo o saber. Onde o paciente e seus familiares exercem papel importante no compartilhamento de informações e na tomada de decisão.

Estas mudanças correspondem a uma grande revolução, de impacto sobre o presente e o futuro da medicina.

Essa quebra de paradigma, onde o médico era o dono de todo o saber e de toda a verdade, se por um lado pode significar alívio da pressão sobre a “decisão certa”, por outro lado exige do médico que abra mão da sua onipotência e de seu próprio endeusamento, para exercer sua atividade de modo mais democrático e evoluído. Essa autoridade compartilhada é boa para médicos e pacientes, propicia um aprofundamento dos vínculos. Permite também que os médicos ganhem protagonismo pessoal e tornem-se menos dependentes de estruturas hospitalares e de ensino. Plataforma de tele consultas tem permitido aos médicos voltarem a serem profissionais autônomos.

A autoridade compartilhada não pode ser vista como uma ameaça, e sim como parte de um processo evolutivo da medicina e do mundo. É importante salientar que a responsabilidade pela decisão final em relação ao tratamento é do médico. Os médicos que conseguirem perceber este processo com uma conquista para ambos (médicos e pacientes), e como uma oportunidade, tendem a ter mais sucesso neste novo mundo que vem se estabelecendo.

Cabe a médicos e pacientes decidirem como vão lidar com as mudanças !