“… tenhamos consciência de que só desenvolvendo a empatia é que criamos uma corrente de acertos e de responsabilidade… não é uma gentileza que se faz, é a solução para sairmos desta barbárie disfarçada e sermos uma sociedade civilizada de fato.”
(Martha Medeiros)
Na coluna anterior abordei o tema da solidão onde destaquei a necessidade humana de pertencimento. De certa forma, o tema de hoje é uma continuidade do assunto. Ao falar sobre empatia, enfatizamos a importância da mesma para a convivência em grupos e a socialização. Para que compreendamos a empatia, precisamos entender parte de sua origem.
Os Neurônios espelho foram descobertos na década de 90 por Rizzolati et al, pesquisadores Italianos, em Parma. Trata se de um grupo de neurônios, um sistema, localizado na área pré-motora do córtex cerebral de macacos Rhesus. Estes pesquisadores demonstraram que alguns neurônios localizados nos lobos frontal e parietal do cérebro eram ativados quando o macaco realizava um movimento ( tipo apanhar uma uva passa ), mas também eram ativados quando o macaco observava um outro realizando a mesma tarefa . Posteriormente inúmeros experimentos demonstraram a existência deste sistema neuronal, de Neurônios Espelho, em humanos.
Quando ativados pela observação de uma ação, permitem que o significado da mesma seja compreendido automaticamente, de modo pré-atencional, o ser humano observa uma ação, é capaz de avaliar sua intencionalidade, e de reconhece lá dentro de si próprio.
Os NÉ não são ativados quando a ação não faz parte do repertório do ser humano, por ex latir.
Também não disparam durante os atos mímicos, que não tem intencionalidade.
Apresentam circuitos cerebrais comuns envolvidos na lateralidade, ou seja, na definição de direita e esquerda.
As emoções também podem ser espelhadas, através das expressões faciais, movimentos corporais. Observamos a ativação dos Neurônios espelhos quando estamos diante de choro, risos ou bocejos.
Empatia é uma das chaves para decifrar o comportamento e a socialização do ser humano.
É a capacidade, de reconhecimento da emoção alheia, é altamente adaptativa ligada à sobrevivência da espécie.
Antigamente pensava se que esta capacidade era decorrente de um processo puramente cognitivo, isto é, deduzir de qual emoção se tratava, através de um processo lógico.
Não se trata de um processo dedutivo, mas da capacidade de compreensão imediata da experiência emocional do outro porque identificamos a mesma experiência em nós.
Empatia, portanto, é a habilidade de imaginar se no lugar de outra pessoa, a compreensão dos sentimentos, desejos, ideias e ações do outro.
A capacidade de empatia, de reconhecimento da emoção alheia, é uma característica altamente adaptativa, ligada à sobrevivência da espécie,
Os neurônios espelho também refletem uma série de elementos da comunicação verbal.
O que caracteriza e garante à sobrevivência dos seres humanos é o fato de sermos capazes de nos organizar socialmente e isso só é possível porque somos capazes de entender a ação de outras pessoas. Além disso, também somos capazes de aprender através da imitação e essa faculdade é a base da cultura.
O entendimento de ações é, também, essencial para a tomada de atitude em situações de perigo A imitação é extremamente importante para os processos de aprendizagem e a empatia é fundamental na construção de relacionamentos.
Ou seja, podemos inferir que nascemos destinados à convivência, às amizades, aos amores e paixão.
Podemos, então ,entender porque estamos com tanta dificuldade de navegar neste “ novo normal “ do mundo com a Pandemia da Covid 19. Nos ressentimos pelo distanciamento , mas também pelo uso de máscaras . Desejemos ler a expressão facial dos nossos amigos e familiares. Desejamos codificar as emoções . A máscara retira boa parte desta
Os neurônios podem explicar habilidades mentais como o desenvolvimento da linguagem, a imitação, o aprendizado, e a cultura transição da cultura.
Embora haja críticas à pesquisa dos Neurônios espelho, sua descoberta é de extrema relevância para compreendermos, em grande parte, a capacidade de empatia. Esta é fundamental para a nossa sobrevivência como espécie, para o desenvolvimento das habilidades sociais humanas e para interpretar e transmitir a cultura.