As datas de Natal e Ano Novo marcam um ritual de passagem através do qual, temos a oportunidade de elaborar o luto por todos os momentos de dor e frustração pelos quais passamos ao longo do ano. Por isso, sentimentos de estresse, irritação e tristeza são comuns nessa época. Bem como compensação emocional através do consumo exagerado.
A perda de amigos, familiares, conhecidos, a dor pelas mais de 600 mil vidas perdidas durante a Pandemia da Covid-19, leva também ao enfrentamento de um luto coletivo que acomete a sociedade.
As medidas sanitárias de contenção, tais como como o distanciamento social e o uso de máscara levam a privações sociais que incluem a impossibilidade de ler as expressões faciais dos que amamos. Função tão necessária para alimentar nossos neurônios espelho, nossa capacidade de empatia, e a consequente liberação dos hormônios Ocitocina e Dopamina, responsáveis por vínculo e prazer respectivamente.
Dessa forma, o ano de 2021 foi particularmente difícil.
Habitualmente, o ritual de passagens das festas de final de ano permite-nos transpor a tristeza e chegar ao início do ano seguinte, cheios de esperança. Há, portanto, uma relação íntima entre o final do ano e a esperança.
Aqui falamos de esperança no sentido de um espera ativa frente a novas expectativas e metas. Falamos de esperança no sentido de caminhar em direção a uma nova trajetória que se inicia.
Com a pandemia, a espera ativa transformou-se em espera passiva pelo fim da mesma. Nos sentimos impotente. De certa forma, perdemos a potência da vida. Vivemos o luto do luto, a perda do luto.
Entretanto, esse é um momento especialmente rico para buscarmos desenvolver importantes habilidades socioemocionais, tais como a busca pelo novo, que envolve entrar em contato com a imaginação criativa, o interesse pela arte e a busca da mente investigativa.
Também é importante escutar ativamente nossos sentimentos, aceitá-los e acolhê-los, sem julgamentos, sem classificação. Aceitar que fazem parte a humanidade que habita em nós. E adentrar no processo de aquisição da resiliência e a possibilidade de mudança. Afinal, nossa vida é um constante equilíbrio entre aceitar e mudar.
Essa é uma oportunidade importante para desenvolver outra habilidade socioemocional que diz respeito à autogestão, isto é, à regulação, gerenciamento e controle das emoções e sobre comportamentos.
Sabemos que a plasticidade cerebral é um evento biológico inevitável, que estabelece uma ligação entre o cérebro e o ambiente e a nossa evolução individual e enquanto espécie.
Assim surge o espaço para a ressignificação da vida, para a reavaliação dos fatos que não podem ser modificados e para adequar nossa resposta emocional frente a fatos e emoções negativas. E surge uma nova possibilidade de esperança.